A fantasia ideal

Carnaval, tempo de ser feliz, sem pudores e vergonhas, de se permitir extravasar, vestir fantasias e de agir, por alguns dias (ou horas), diferentemente de como somos no cotidiano. Se adeptas da folia, sabemos que durante esse período ficamos mais livres, leves e soltas. E mesmo que não sejamos, só o fato de pensar nessa condição já nos permite compreender a reflexão dessa semana.

Como diz a frase, que parece ter virado máxima (mas que muitas vezes fica só no nosso discurso): a mulher pode o que quiser.  Mas não nos falta, muitas vezes, coragem para demonstrar ao mundo (ou admitir pra nós mesmas) aquilo que queremos?

Usando o exemplo do carnaval, as fantasias que escolhemos, que vão de colombinas a super-heroínas, passando por princesas e fionas, mulheres-gato, diabinhas, sereias, gatinhas, unicórnias…. são apenas armaduras para sermos, um pouco, quem queremos ser: livres!

Libertas por alguns instantes, sem preocupações,  sem pensar na quarta-feira de cinzas (ou na segunda-feira de toda semana). Sem que consigam nos acessar depois para cobranças, afinal não era eu, mas a mulher-maravilha, alguma salva-vidas desconhecida, uma bombeira, enfermeira ou marinheira que ninguém sabe ao certo  o nome, uma Pedrita, funkeira, policial, ninja, paquita, freira ….. era carnaval!

Porque precisamos sempre de adereços  (ou de desculpas, tal qual o carnaval), para curtir nossos desejos? Porque nos falta, o ano todo, coragem para sermos ou assumirmos quem verdadeiramente desejamos ser? Para vestir ou alternar ora uma, ora outra personagem  dentre tantas que temos em nós?

Assim, temos fantasias que, por inseguranças nossas e pudores dos olhos alheios, só vestimos no carnaval, embora gostaríamos de vestir com mais frequências. E há, ainda, aquelas que, ao contrário, vestimos toda hora, porque são as aceitas, porque estão em voga, porque representam ideais que são de muitos, mas não, necessariamente, os nossos. Elas reluzem. Impressionam. São admiradas. Mas são amarras. Fantasias aprisionadoras. Por isso eu te pergunto. Quantas máscaras vestimos o ano todo? Quantos disfarces utilizamos em nosso semblante pra camuflar o que sentimos ou pensamos? Quantas cintas que apertam, cores que disfarçam, cortes de tecido que amenizam e escondem o que dizem ser defeitos ou não nos cair bem?

Quanta tristeza e frustração costurada no que vestimos ou escondida por trás do que pintamos em nossa face!

Repito, fantasias que vestimos e sequer são nossas. Como a  mais requisitada de todas: a de mulher-maravilha, que é perfeita, porque é, ao mesmo tempo, mãe atenciosa, profissional competente, esposa carinhosa, amante disposta, amiga solícita, dona de casa organizada, fitness, bem-humorada… e dá conta de tudo e de todos em suas 24 horas.

Pare! Respire. Dispa-se!

Pense na vida e no ano todo como um carnaval daqueles em que você vista apenas a roupa mais leve e confortável e até fique de pés descalços se preferir (sem necessidade de qualquer brilho para realçar o bronzeado ou spray pra disfarçar as celulites das pernas).

Relaxe.

Vista a fantasia que gostar, que te deixar aconchegada, aquela que você escolher porque te acolhe, te envolve como um abraço, te conforta.

Se vamos nos emoldurar de algo,  que seja porque verdadeiramente gostamos e nos sentimos bem com isso. Se vamos nos pintar, que seja porque as tintas realçam o que verdadeiramente nos faz sorrir: nós mesmas, nossos anseios e conquistas, aquilo que temos dentro da gente.

Que cada adereço, se estiver em nós, esteja porque expresse realmente quem somos e aquilo que almejamos.

Sim, você já sabe qual é  fantasia ideal!

Para o carnaval e para o ano todo. Para a vida.

É a mais ousada de todas, concordo!

Mas, vamos juntas, todas, vesti-la.

FANTASIE-SE DE SI MESMA!

Não tente ser outra.

As melhores fantasias são sempre as originais.

Marciele Scarton / Palestrante Na Cabeceira da Mesa

 

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