Valorize suas conquistas o ano todo

Nesta semana, em que a luta das mulheres pela igualdade de direitos vira pauta obrigatória pela passagem do Dia Internacional da Mulher, não poderia deixar de situar o propósito do projeto Na Cabeceira da Mesa nesse contexto.

Como acontece todo o ano, tanto na mídia tradicional, como na internet, veremos uma infinidade de debates, reportagens, estatísticas e conteúdos diversos que nos ‘lembram’ das atrocidades ainda cometidas em relação às mulheres e do longo e árduo trajeto que ainda temos a percorrer até atingirmos a equidade.

Enquanto palestrante do tema liderança feminina, gostaria, primeiramente, de fazer voz para que esses assuntos sejam obrigatórios o ano todo, e não apenas nesse período, de modo que contribuam com  o combate permanente: dos índices estarrecedores de feminicídio, da  violência física, verbal, emocional e dos estupros cometidos às mulheres, da pedofilia e outros abusos que aniquilam a vida de meninas, da disparidade de cargos e salários entre homens e mulheres, dos constrangimentos e violências diversas sofridos pelas mulheres nas ruas, nos meios de transporte, no trabalho e em casa –  somente para citar alguns exemplos.  E para que promovam: políticas públicas de defesa e manutenção dos direitos das mulheres; desenvolvimento profissional, empreendedorismo e empoderamento econômico feminino, liderança e a participação da mulher em todos os setores, além de saúde, bem-estar, segurança e não–discriminação.

Em segundo lugar, adiciono a esse relevante dever coletivo da luta pela equidade de direitos, a importância de cada uma de nós comprometer-se na busca de sua própria satisfação e autonomia. Um dever individual, mas que é decisivo para a melhoria da sociedade ao passo que o empoderamento de cada uma estimula e fortalece o das demais.

É nesse enfoque que atua o projeto Na Cabeceira da Mesa, ao motivar as mulheres a valorizarem suas conquistas como caminho para serem mais felizes. Na palestra, por meio de histórias reais de mulheres do passado recente, resgato sete conquistas do universo feminino que tem sido deixadas de lado pelas próprias mulheres, em virtude da sobrecarga de tarefas e responsabilidades. E, o mais importante, incentivo a prática efetiva dessas conquistas que envolvem questões como desejar, agir conforme suas vontades, desfrutar das praticidades da vida, valorizar sua beleza e seu corpo desenvolvendo sua autoestima, praticar sua espiritualidade sem imposições, bem como investir na independência, sendo protagonistas no mercado de trabalho e em suas vidas.

Tenho convicção de que a consciência e a vivência desses aspectos concede à mulher, em síntese, outros dois direitos fundamentais, que costumam ficar de fora dos grandes debates de 8 de março – muitas vezes sendo até considerados supérfluos: a felicidade e a plenitude femininas.

Que nesse 8 de março,

e e em todos os dias de nossa vida:

sejamos protagonistas de nossas histórias;

líderes;

ocupemos lugares de destaque;

tenhamos autonomia em nossas escolhas, decisões e atitudes;

sejamos leves;

expressemos sem receios e preconceitos nossa beleza e nossa femilidade;

agradeçamos a todas as mulheres que viveram antes de nós e deram passos importantes para nossa evolução;

valorizemos nossas conquistas;

estejamos sempre sentadas à Cabeceira da Mesa,

sejamos, essencialmente, mulheres!

Marciele Scarton –  Palestrante / Na Cabeceira da Mesa