Autorresponsável ou vítima: quem você escolhe ser na vida?

A morte do cientista Stephen Hawking, na última semana, nos lembra de sua conhecida figura, totalmente imobilizada, e do paradoxo que sua passagem pela terra constituiu, diante de tudo que ele produziu, apesar de sua condição física.

Uma imagem que nos recorda de todas as miudezas e insignificâncias das quais reclamamos todo o dia. Nos lembra (e deveria nos envergonhar) do nosso vitimismo.

E lembrou-me também de uma senhora que conheci há alguns anos, numa tarde do mês de fevereiro de 2014, no município de Veranópolis-RS, que àquela época também me fez pensar nisso, no nosso hábito de reclamar e encontrar desculpas para justificar aquilo que não nos dispomos efetivamente a conquistar ou fazer.

Dona Realda.

Uma senhora de 83 anos àquela época, portadora de uma deficiência congênita nos dois pés, que os aproxima do formato de uma pequena bola, e que a força andar sempre na ponta deles, com dificuldade, e a permite somente usar calçados abertos, confeccionados com forma específica. O esforço que precisa desprender para se movimentar com esses diferentes pés, faz com que vários e incômodos calos lhe façam companhia constante. Mas nada disso impressiona alguém, porque com naturalidade e leveza admiráveis a respeito, ela não permite. Imaginaram que a senhora passa a maior parte do tempo sentada? Ao contrário, fica em pé, ativa, saracoteando, indo de um cômodo a outro da casa. Faz tarefas diversas, prepara um chimarrão,  mostra como usa a máquina de costura e os artesanatos que produz. Encena histórias engraçadas de sua vida. Em dois minutos de conversa, a gente não lembra mais do detalhe que diferencia seu corpo. Ele não a incomoda, porque ela fez com que fosse irrelevante em sua jornada. Importante para ela foi tudo, além disso, que se permitiu e ainda se permite viver, sem qualquer pesar.

E tem gente que desperdiça uma vida inteira por causa de um cisco no olho, uma unha encravada ou algo do tipo, e suas lamentações a respeito.

Sempre haverá os que passam a vida encontrando lamentações, bufando e mendigando compaixão.

E sempre haverá os que teriam grandes e pesadas mazelas reais, mas não permitem que elas sejam maiores que eles e seus anseios.

E se estamos entre os que têm saúde para abrir os olhos e saltar da cama, vamos  primeiramente agradecer e, logo depois, assumir a responsabilidade pelo que fazemos ou deixamos de fazer, sem chorumelas e sem culpar o tempo, o clima, a vida, os pais, os filhos, o cônjuge, Deus, os políticos, o cenário econômico, ou arranjar qualquer outro bode expiatório para nossas próprias escolhas e postura diante da vida.

É questão de escolha, quem você quer ser na sua trajetória: autorresponsável ou vítima?

Texto e fotos, Marciele Scarton  – Palestrante / Na Cabeceira da Mesa